domingo, 2 de março de 2008

Depoimentos de tricolores no ano do centenário 2

Evandro Mesquita
Cantor e tricolor

‘Ser Fluminense é ser a favor do craque’

“O Tricolor tem aquele toque de classe, o respeito à tradição e a tudo o que o Fluminense representa no futebol brasileiro. E é muito alegre ser parte desta torcida, sentir-se cúmplice dela nas ruas. A torcida do Fluminense não é aquela coisa superpopular. Mas é composta de pessoas interessantes, esta é a diferença. Sou tricolor por causa de meu pai, apesar de ter tios rubro-negros e alvinegros. Como esquecer a época maravilhosa da Máquina Tricolor? Nunca vou esquecer um amistoso no Maracanã, contra o Bayern de Munique. Naquele dia, Cafuringa encarnou Garrincha. Mário Sérgio e Rivelino estavam fazendo mágica em campo. O Fluminense deu olé em Beckenbauer. Ser Fluminense é ser guerreiro para enfrentar as horas difíceis, é ser a favor da paz, da alegria, do craque e da bola na rede.”


PEDRO MALAN
Ministro da Fazenda e tricolor

'Como é eterno o Fluminense'

“Sou tricolor de coração. Torcer há décadas pelo Fluminense é, como dizia Nelson Rodrigues, sentir-se partícipe de um drama shakespeareano. Momentos de dúvidas que fariam corar a um Hamlet, situações de euforia que fariam um Falstaff parecer um tímido introvertido, momentos heróicos em que o time parece comportar-se como o vitorioso exército inglês em Agincourt após ouvir o apelo magnífico de Henrique V às suas tropas antes da batalha. Shakespeare reencarnado no Rio de Janeiro do Século XX, penso como Nelson Rodrigues, seria um inevitável tricolor.Lembro-me da primeira vez em que fui ao Maracanã para ver o Fluminense jogar, no início dos anos 50: Castilho, Píndaro e Pinheiro... Nomes que Shakespeare não hesitaria
em utilizar em sua obra eterna. Como é eterno o Fluminense. Cem anos de História –comemorados com mais um título no Centenário desse time tantas vezes campeão. Cem anos marcados por alguns momentos mais difíceis, que tiveram, entretanto, o efeito de fazer o time ressurgir não das cinzas como Fênix, porque nunca se deixou transformar em cinzas. Na verdade, o Fluminense gerou imitadores de todo tipo: todos gostariam de ter a história e a tradição do Fluminense. Afinal, o que é o Flamengo senão uma dissidência futebolística do tricolor, em busca das mesmas glórias? O que é o Botafogo senão o primo-irmão cujo torcedor apenas não ousa dizer de público que seu outro time de coração é o Fluminense? O que é o Vasco da Gama, senão uma tentativa razoavelmente bem sucedida de combinar o Fluminense e o Benfica? O que é o São Paulo, senão um tricolor apaulistado? E todos os times tricolores do país e do mundo que se inspiraram na bandeira do glorioso time das Laranjeiras? Paremos por aqui. Não se deve humilhar adversários com a força de nossas tradições. Que sinalizam mais 100 anos de vitórias. ”

Tony Platão
Cantor e tricolor

'O que não me mata só me fortalece'

“A frase é de Nietzsche: "o que não me mata só me fortalece". Então, o Fluminense é "nietzschiano". Foi parar na Terceira Divisão, não morreu e se fortaleceu. A torcida se mostrou ainda mais fiel.Comecei a ir ao Maracanã com seis anos. Antes disso, não me lembro de nada. O Fluminense é minha primeira referência afetiva. Está acima de nomes. Flamengo é Zico, Botafogo é Garrincha, mas Fluminense é Fluminense.Perco o sono, a fome, não sei me desligar do clube. Em 84, estava cantando com o Hojerizah numa boate, na hora da final com o Flamengo. Tentei adiar o show, em vão. O cara da iluminação era tricolor e ficou na coxia me passando o resultado. Saímos do palco e a platéia, lotada, pedia bis. Estava 1 a 0, faltava pouco. Peguei o rádio, resisti à pressão da banda e só voltei com o Fluminense campeão.”


Fernanda Montenegro
Atriz e tricolor

'Beleza, sofisticação e muito charme'

“Sempre me defini como uma torcedora light. Mas o Fluminense foi, para mim, uma questão de simpatia. Acho que este tipo de coisa não se explica. Veio na juventude e ficou. O Fluminense tem alguns traços característicos: a sede bonita e sofisticada, a freqüência elitizada, o charme. Mas quando o time entra em campo, é a hora da garra, da força. Freqüentei jogos nas Laranjeiras entre os 15 e 18 anos. Os traços do clube combinam com o perfil do torcedor. O botafoguense é o intelectual sofrido. Já o torcedor do Fluminense tem a marca do fair play e da perseverança. Os rebaixamentos foram uma humilhação na alma tricolor. Mas o torcedor tricolor soube esperar sua hora. Agora voltamos a vencer. As vitórias me alegram.”


Bibi Ferreira
Atriz, diretora e tricolor

'O meu Fluminense pertence a mim’

Não digo "o Fluminense". É o "meu Fluminense". Nunca vi o clube como propriedade dos torcedores, de associados. Desde jovem, achava que o clube pertencia a mim, morava no meu coração.Na infância, meu tio me levava aos jogos. Depois, tive uma amiga, Helena, que namorava o Tim. Nós saímos com ele. Tim era uma referência em nossas vidas, um ídolo.Freqüentava bailes, carnaval na sede. Não abandonei nem nas fases ruins. Amo o meu clube. Era uma torcedora entusiasmada. Nos gols, gritava "meu Fluminense!". Era do bem ser tricolor. Um clube bonito, alinhado. Eu ia aos jogos com uma encharpe tricolor, combinava saia e camisa nas cores do clube. O Fluminense é elegante.

Um comentário:

ronair disse...

eu antes torcia pro flamengo e eu passei a ver mas jogos e vir o fluminense jogar 1°jogo ganhou 2°ganhou eu falei meu time e o fluzão meu tio falou tu tá ficando doido doido não apaixonado pelo fluzão,eu tinha 8 ano agora eu tenho 15