sábado, 19 de abril de 2008

Fanatismo traduzido em palavras

Eu não tenho conhecimento de algum outro torcedor tão fanático e que tenha escrito tanto sobre o clube amado como o Nelson Rodrigues sobre o Fluminense.

"A Grande Guerra seria apenas a paisagem, apenas o fundo das nossas botinadas. Enquanto morria um mundo e começava outro, eu só via o Fluminense".

"Eu vos digo que o melhor time é o Fluminense. E podem me dizer que os fatos provam o contrário, que eu vos respondo: pior para os fatos"

"Se quer saber o futuro do Fluminense, olhe para o seu passado. A história tricolor traduz a predestinação para a glória".

“O Fluminense nasceu com a vocação da eternidade. Tudo pode passar, só o Tricolor não passará jamais. Quem diz é o óbvio ululante”.

“Sou tricolor. Sempre fui tricolor. Eu já diria que era Fluminense em vidas passadas. Antes, muito antes, da presente encarnação”.

"Só existe um Tricolor, os demais são times de três cores".

"Nas situações de rotina, um `pó-de-arroz' pode ficar em casa abanando-se com a Revista do Rádio. Mas quando o Fluminense precisa de número, acontece o suave milagre: os tricolores vivos, doentes e mortos aparecem. Os vivos saem de suas casas, os doentes de suas camas e os mortos de suas tumbas".

segunda-feira, 17 de março de 2008

Frases

"Esqueça os fatos, a razão, a lógica.O Fluminense desafia todos eles e vence.Essas coisas não combinam com o Tricolor,ele está acima disso,é uma questão mais de amor, paixão, tradição,coragem, esperança, superação e acima de tudo, emoção.Fluminense? Não se explica...." (Júnior Costa)

"Grandes são os outros, o Fluminense é enorme."
(Revista Lance! 2005 - Série Grandes Clubes)

"O Fluminense independe de conquistas, o Fluminense está entre o ser e o devir, o Fluminense é o ser. É Fluminense e basta”. (Sidney Garambone)

"O Fluminense não nasceu para ser unanimidade nem massa de manobra do interesse demagógico das elites opressoras. O Fluminense nasceu para atravessar a harmonia do bloco dos contentes. Nasceu para incomodar o senso comum. Essa é a nossa sina". (Autor desconhecido)

* Se alguém souber o autor da frase acima, favor informar.

quinta-feira, 13 de março de 2008

O Fluminense somos nós

"O nosso Fluminense, em sua essência, em sua história e tradição, não tem nada a ver com o que temos visto.
O Fluminense é sua torcida.
Foi ela quem segurou a barra nos anos negros.
Foi ela quem apoiou o clube nos piores momentos, lotando os estádios em divisões inferiores.
O nosso Fluminense não é este Fluminense de desmandos administrativos, de salários atrasados, de dívidas impagáveis.
O nosso Fluminense não é o paraíso dos empresários, das vendas absurdas de promissoras revelações e das incríveis compras de jogadores que não somam.
O nosso Fluminense não é o que apóia ações estranhas, ao lado de Eurico e do falecido Caixa D'Água.
Não fomos nós que abrimos champanhe para comemorar viradas de mesa.
Somos o Fluminense campeão.
Somos o Fluminense vencedor.
Somos Manfrini, somos Rivellino, somos Paulo César Lima, somos Romerito, somos Assis, somos Deley, somos Branco, somos Parreira.
Somos o Fluminense de Telê.
Somos o Fluminense de Castilho.
Somos a torcida que fez a mais bela homenagem a João Paulo II em pleno dia de Fla-Flu decisivo. Estamos a postos para apoiar neste momento difícil, porque são o clube e sua história que estão em risco.
Não os que hoje o dirigem.
Estes vão passar e serão esquecidos.
O nosso Fluminense não tem nada a ver com eles.
Desmandos, atrasos, locupletação... O Fluminense não é nada disso.
O Fluminense somos nós."

( Manifesto escrito pela Sampa Flu em 2006)

domingo, 2 de março de 2008

Depoimentos de tricolores no ano do centenário 2

Evandro Mesquita
Cantor e tricolor

‘Ser Fluminense é ser a favor do craque’

“O Tricolor tem aquele toque de classe, o respeito à tradição e a tudo o que o Fluminense representa no futebol brasileiro. E é muito alegre ser parte desta torcida, sentir-se cúmplice dela nas ruas. A torcida do Fluminense não é aquela coisa superpopular. Mas é composta de pessoas interessantes, esta é a diferença. Sou tricolor por causa de meu pai, apesar de ter tios rubro-negros e alvinegros. Como esquecer a época maravilhosa da Máquina Tricolor? Nunca vou esquecer um amistoso no Maracanã, contra o Bayern de Munique. Naquele dia, Cafuringa encarnou Garrincha. Mário Sérgio e Rivelino estavam fazendo mágica em campo. O Fluminense deu olé em Beckenbauer. Ser Fluminense é ser guerreiro para enfrentar as horas difíceis, é ser a favor da paz, da alegria, do craque e da bola na rede.”


PEDRO MALAN
Ministro da Fazenda e tricolor

'Como é eterno o Fluminense'

“Sou tricolor de coração. Torcer há décadas pelo Fluminense é, como dizia Nelson Rodrigues, sentir-se partícipe de um drama shakespeareano. Momentos de dúvidas que fariam corar a um Hamlet, situações de euforia que fariam um Falstaff parecer um tímido introvertido, momentos heróicos em que o time parece comportar-se como o vitorioso exército inglês em Agincourt após ouvir o apelo magnífico de Henrique V às suas tropas antes da batalha. Shakespeare reencarnado no Rio de Janeiro do Século XX, penso como Nelson Rodrigues, seria um inevitável tricolor.Lembro-me da primeira vez em que fui ao Maracanã para ver o Fluminense jogar, no início dos anos 50: Castilho, Píndaro e Pinheiro... Nomes que Shakespeare não hesitaria
em utilizar em sua obra eterna. Como é eterno o Fluminense. Cem anos de História –comemorados com mais um título no Centenário desse time tantas vezes campeão. Cem anos marcados por alguns momentos mais difíceis, que tiveram, entretanto, o efeito de fazer o time ressurgir não das cinzas como Fênix, porque nunca se deixou transformar em cinzas. Na verdade, o Fluminense gerou imitadores de todo tipo: todos gostariam de ter a história e a tradição do Fluminense. Afinal, o que é o Flamengo senão uma dissidência futebolística do tricolor, em busca das mesmas glórias? O que é o Botafogo senão o primo-irmão cujo torcedor apenas não ousa dizer de público que seu outro time de coração é o Fluminense? O que é o Vasco da Gama, senão uma tentativa razoavelmente bem sucedida de combinar o Fluminense e o Benfica? O que é o São Paulo, senão um tricolor apaulistado? E todos os times tricolores do país e do mundo que se inspiraram na bandeira do glorioso time das Laranjeiras? Paremos por aqui. Não se deve humilhar adversários com a força de nossas tradições. Que sinalizam mais 100 anos de vitórias. ”

Tony Platão
Cantor e tricolor

'O que não me mata só me fortalece'

“A frase é de Nietzsche: "o que não me mata só me fortalece". Então, o Fluminense é "nietzschiano". Foi parar na Terceira Divisão, não morreu e se fortaleceu. A torcida se mostrou ainda mais fiel.Comecei a ir ao Maracanã com seis anos. Antes disso, não me lembro de nada. O Fluminense é minha primeira referência afetiva. Está acima de nomes. Flamengo é Zico, Botafogo é Garrincha, mas Fluminense é Fluminense.Perco o sono, a fome, não sei me desligar do clube. Em 84, estava cantando com o Hojerizah numa boate, na hora da final com o Flamengo. Tentei adiar o show, em vão. O cara da iluminação era tricolor e ficou na coxia me passando o resultado. Saímos do palco e a platéia, lotada, pedia bis. Estava 1 a 0, faltava pouco. Peguei o rádio, resisti à pressão da banda e só voltei com o Fluminense campeão.”


Fernanda Montenegro
Atriz e tricolor

'Beleza, sofisticação e muito charme'

“Sempre me defini como uma torcedora light. Mas o Fluminense foi, para mim, uma questão de simpatia. Acho que este tipo de coisa não se explica. Veio na juventude e ficou. O Fluminense tem alguns traços característicos: a sede bonita e sofisticada, a freqüência elitizada, o charme. Mas quando o time entra em campo, é a hora da garra, da força. Freqüentei jogos nas Laranjeiras entre os 15 e 18 anos. Os traços do clube combinam com o perfil do torcedor. O botafoguense é o intelectual sofrido. Já o torcedor do Fluminense tem a marca do fair play e da perseverança. Os rebaixamentos foram uma humilhação na alma tricolor. Mas o torcedor tricolor soube esperar sua hora. Agora voltamos a vencer. As vitórias me alegram.”


Bibi Ferreira
Atriz, diretora e tricolor

'O meu Fluminense pertence a mim’

Não digo "o Fluminense". É o "meu Fluminense". Nunca vi o clube como propriedade dos torcedores, de associados. Desde jovem, achava que o clube pertencia a mim, morava no meu coração.Na infância, meu tio me levava aos jogos. Depois, tive uma amiga, Helena, que namorava o Tim. Nós saímos com ele. Tim era uma referência em nossas vidas, um ídolo.Freqüentava bailes, carnaval na sede. Não abandonei nem nas fases ruins. Amo o meu clube. Era uma torcedora entusiasmada. Nos gols, gritava "meu Fluminense!". Era do bem ser tricolor. Um clube bonito, alinhado. Eu ia aos jogos com uma encharpe tricolor, combinava saia e camisa nas cores do clube. O Fluminense é elegante.

Depoimentos de tricolores no ano do centenário

Em homenagem ao centenário do Fluminense, o jornal Lance! reuniu uma série de depoimentos de tricolores ilustres.

CHACAL
Poeta, produtor de eventos e tricolor

'Sou tricolor desde antes de nascer'

“Visto a camisa e o gorro tricolor para escrever essas linhas. Assoviando o hino, digo que sou tricolor antes de nascer... Ser tricolor para mim, é mais que uma opção. É um presente do destino, um estilo de vida elegante. Não a elegância que a grana ou a posição social possam trazer, mas a nobreza que vem da arte de viver a vida se sabendo tricolor, sabendo que o vermelho e o verde das três cores o permitem viver em profundidade, como se olhasse através de um óculos em 3D e o branco lhe trouxesse a paz de saber viver a vida como ela é: tricolor da cabeça aos pés. Ave Nelson !!! Salve, salve meu Flu centurião!!!!!!!”


Noca da Portela
Compositor de sambas e tricolor

‘Ainda me emociono quando vejo o Flu’

“Eu tenho o maior orgulho de dizer que sou tricolor. Sou como o saudoso Mário Lago, tricolor e comunista, e faço questão de mostrar isso. Aliás, o mundo do samba é cheio de tricolores. Paulo da Portela e Cartola eram tricolores de faltar ao samba para ver o Flu. E, graças a Deus, posso dizer que sou um homem feliz. Meu pai, flamenguista, me levou pela primeira vez a um Fla-Flu, em 1938, nas Laranjeiras. Metemos três ou quatro neles (foi 3 a 0) e de lá pra cá só comemoro. Cansei de ver Castilho jogar, a Máquina e a turma do Casal 20 então, nem se fala. Era ir para o Maraca com a certeza da vitória. Eu até hoje me emociono quando vejo o Fluminense joga”


FAUSTO FAWCETT
Cantor, compositor, escritor e tricolor

'Cada jogo, um espetáculo à parte'

“Cada jogo do Fluminense é um espetáculo à parte que, me desculpe Leonardo da Vinci, nem a Mona Lisa consegue chegar aos pés da grandiosidade dessa obras de arte. Torcer para o Fluminense é poder ter um sentimento de eternidade que só os Césares e Augustos podiam experimentar – e que nós, tricolores, estamos saboreando especialmente nesta data.”

Ivan Lins
Cantor e Tricolor

'O mais carioca dos clubes cariocas'

“Eu tinha sete anos, morava de frente para a Praia de Icaraí. Não tinha time e no meu prédio só tinha tricolor. Mas havia um menino mais velho, irmão do namorado da minha irmã, que batia nos mais novos, fez pressão e me fez ser Vasco. Ele roubava minha pipa, minhas bolinhas de gude. Ninguém me defendia, era "briga de vascaínos". E no colégio ainda me diziam que eu era Fluminense, pois morava no Estado do Rio. Cansei. Um dia, cheguei ao colégio e perguntei: "Posso virar Fluminense?" Fui carregado nos ombros e ouvi a frase do alívio. "Agora, aquele menino nunca mais te encosta a mão". Eu me senti protegido, aprendi a adorar o Fluminense. Criei imagem de que ser Fluminense é morar de frente para a praia, a imagem de que todo mundo é Fluminense. Para mim, é o clube mais carioca. Minha identificação é total. Penso na bandeira do Rio, me vêm à cabeça o encarnado, o verde e o branco. Tenho até muita simpatia pelo Flamengo, só criei bronca do Vasco. Nas vitórias, fico impossível. "Vão ter que me engolir", grito. E nos últimos anos, cada vitória tem tido um gosto mais especial. Afinal, elas têm sido escassas. Mas cada alegria que o Fluminense me dá é inesquecível. Em 84, Assis fez o gol do título em cima do Flamengo. Eu estava na cabine da TV Bandeirantes. Quem tem a gravação do jogo ouve um berro logo após o grito do locutor. Sou eu, pulando feito louco na cabine. Hoje, estarei no Salão Nobre do Fluminense mostrando o show "Jobiniando". Tom Jobim era a cara do Rio, como o Fluminense. Tem tudo a ver com a minha visão do que é o Tricolor. Vou cantar de graça, é claro. Cem anos não se faz todo dia. Através da minha arte, vou presentear meu clube.”


Vitral de Almeida
Marquês das Laranjeiras

‘O futebol brasileiro começa pelo Fluzão’
Tricolores do céu e terra! Gostei da idéia do LANCE de presentear a todos com a verdadeira história do futebol brasileiro. Sim, porque falar do Centenário Tricolor é o mesmo que falar do Brasil, pois o Fluzão sempre foi o pioneiro em tudo. Fomos os primeiros campeões cariocas. Aliás, somos os primeiros tetracampeões. Fomos o primeiro time carioca a ganhar o Rio-São Paulo (único invicto até hoje). Campeonato Brasileiro? Ganhamos em 70 e no ano seguinte mudaram de nome. Também saímos na frente. Campeão Mundial? No Rio, Só o Flu. Quem é alfabetizado sabe que o bacalhau é vice e o urubu só ganhou um amistoso, nada reconhecido pela Fifa. Temos também a Taça Olímpica. Alguém no Brasil tem? Óbvio que não. Como diria Nélson Rodrigues, quando freqüentava a minha casa:"E Laranjeiras, não se dá um passo sem tropeçar numa glória.”

Arthur Moreira Lima
Pianista e tricolor

‘O Fluminense para mim é uma catarse’

"Torço pela Seleção, mas com o Fluminense é diferente. É uma catarse, como se o time defendesse meus ideais. Em 1968, eu morava em Moscou. Sempre que ligava para o Brasil, para falar com minha mãe, havia um cara do SNI fazendo escuta de minhas ligações. Perguntei por cada membro da família. Quando perguntei como estava o Fluminense, surgiu uma voz: "Está uma porcaria, esse meio-campo não joga nada". Naquele momento, o agente deixou de ser agente e foi Fluminense. É o estado de espírito. Meu amigo maestro Laércio de Freitas costuma dizer, após suas apresentações: "Toquei SON: somente o necessário". O Fluminense joga SON. Não dá de cinco ou seis sem necessidade. Por mais que já tenha feito todo tipo de apresentação, vivi uma emoção diferente em 84. A TV Globo colocou um piano no Aterro, na véspera da decisão com o Flamengo, para que eu tocasse o hino do Flu. Fui de terno branco, com a camisa tricolor por baixo. Assim que terminei, corri para a câmera e gritei: "Nense!", de forma alucinada. No Brasileiro, na semifinal contra o Corinthians, apostei com Toquinho. Ou ele rasparia o bigode ou eu rasparia o cabelo. Até Sócrates brincou comigo, dizendo que a Fiel me esperava em São Paulo. Nós ganhamos. Em toda minha vida, jamais conheci outro time que não fosse o Fluminense. ”

domingo, 24 de fevereiro de 2008

O Fluminense pelo mundo 6

Alemanha


















Em 1975, o Fluminense venceu por 1x0 o Bayern, no maracanã.

Video com os melhores momentos do jogo:

http://br.youtube.com/watch?v=Uu1k-KoACkY&NR=1

PS: Obrigada a quem postou esse vídeo! É sempre bom rever grandes momentos da História do Fluminense.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

A origem da palavra torcedor

"No começo do futebol, ir ao estádio era um ato de elegância, principalmente, no Fluminense. Por isso o Fluminense até hoje tem essa fama de clube aristocrático. As mulheres se enfeitavam como se fosse ao Grande Prêmio Brasil, colocavam vestidos de alta costura, chapéus, luvas. Mesmo que a temperatura na cidade estivesse por volta dos 40º de temperatura, elas iam de luvas. Como o calor era muito grande, elas tiravam as luvas e ficavam com as luvas nas mãos, e como ficavam nervosas com o jogo, elas as torciam ansiosamente. Os homens usavam a palheta, um chapéu de palha muito comum na época, muito elegante e também ficavam com o chapéu na mão enquanto torciam. O Coelho Neto, que além de poeta e cronista era pai de dois jogadores do Fluminense: o Preguinho, que foi o primeiro homem a fazer um gol pela seleção brasileira em uma Copa do Mundo, e do Mano, que morreu em conseqüência de um jogo de futebol, levou uma bolada e acabou morrendo; pois o Coelho Neto escreveu uma crônica em que ele usava a expressão “as torcedoras”, referindo-se às mulheres e dali a expressão pegou e nasceu a torcida. Havia quem dissesse que torcida vinha do fato de as pessoas torcerem os fatos, de o torcedor torcer os fatos a favor de seu clube, mas não foi daí que o termo veio não. Apesar de que quem torce, realmente torce as coisas e até distorce. Mas, na verdade, não foi por isso, foi mesmo pelo gesto das moças, principalmente, das que torciam as luvas entre as mãos". (Jornalista Luiz Mendes)

Fonte: http://www.cte.uerj.br/download/luiz_mendes.pdf